Pressionada por Greenpeace, fabricante da Barbie anuncia ações contra destruição ambiental
Companhia norte-americana Mattel, maior indústria de brinquedos do mundo, anunciou medidas para eliminar fornecedores envolvidos com casos de destruição do meio ambiente na floresta tropical da Indonésia. ONG diz que Disney e Lego estão envolvidas no problema. Produtos também são vendidos no Brasil.
Marcel Gomes
SÃO PAULO - Quatro meses após as denúncias do Greenpeace, a norte-americana Mattel, maior indústria de brinquedos do mundo, anunciou nesta semana medidas para eliminar fornecedores envolvidos com casos de destruição do meio ambiente. Em junho, um estudo do Greenpeace revelou que a companhia, fabricante das famosas bonecas Barbie, usava em seus produtos papel produzido pela Asia Pulp and Paper (APP), companhia acusada de destruir a floresta tropical e áreas onde vivem os ameaçados tigres da sumatra, na Indonésia.
Na última quarta-feira (5), a Mattel anunciou a suspenção das compras de papel da APP, usados na embalagem dos brinquedos, e restrições a fornecedores que não usam madeira plantada, além de elevação do emprego de papel reciclado e cerfificado com o selo Forest Stewardship Council (FSC). Em comunicado oficial divulgado em seu site, a empresa diz que irá trabalhar para "implementar esses princípios fundamentais para conduzir nossos esforços e maximizar, ao máximo possível, o uso de materiais reciclados e a fibra sustentável".
Para provar a relação da APP com a Mattel, o Greenpeace comprou bonecas Barbie em diferentes países e providenciou exames laboratoriais sobre o tipo de fibra de madeira utilizada nas embalagens. Os resultados indicaram que a fibra provinha de árvores da floresta tropical indonésia, como a aurora.
De acordo com a ativista do Greenpeace Laura Kenyon, mesmo após perder o contrato com a Mattel, a APP não alterou suas práticas produtivas. "Nas duas últimas semanas, expedições realizadas pelo Greenpeace fotografaram a persistência da destruição causada pela empresa", disse ela. "Outras companhias, como a Golden Agri Resources, do ramo de óleo de palma, já provaram que é possível produzir utilizando técnicas mais sustentáveis".
O papel produzido pela APP é exportado para diversos países. A companhia, a terceira do mundo em produção, admitiu em 2010 que 20% de suas necessidades eram cobertas por árvores nativas das florestas indonésias - área de rica biodiversidade onde vivem animais de grande porte, como elefantes, tigres e orangotangos.
Após o sucesso de sua disputa com a Mattel, o Greenpeace pressiona agora outras empresas que usam a APP como fornecedor a exigirem o comprometimento socioamental dessa empresa. Além das Barbies da Mattel, o estudo indicou que outras companhias que vendem brinquedos, como Disney e Lego, também usam o papel fabricado pela APP em seus produtos.
Em 2007, a Mattel foi envolvida no maior recall de brinquedos da história, quando teve de retirar ao menos um milhão de unidades do mercado por uso de uma tinta tóxica que continha chumbo. A fábrica que produziu as peças, entre elas personagens da série de tevê "Vila Sésamo", ficava em Guangdong, na China. O episódio obrigou a companhia a aprimorar seus sistemas de controle, mas sem estendê-lo à área ambiental.
De acordo com Caio Magri, assessor da área de políticas públicas do Instituto Ethos, uma ONG que estimula a adoção de práticas de responsabilidade social corporativa, as empresas brasileiras no ramo dos brinquedos já adotam uma série de práticas de controle, como o selo de segurança do Inmentro. No entanto, práticas socioambientais sustentáveis não são objeto de ações setoriais, cabendo a cada empresa definir sua política nesse setor.
"Há algumas que usam papel de embalagem com selo FSC, mas não conheço nada além disso", disse ele à Carta Maior. Produtos importados e vendidos em lojas brasileiras, como os da Mattel, também devem seguir as leis nacionais, que não fazem qualquer exigência sobre a sustentabilidade da produção no exterior. "O problema é ainda mais grave com os brinquedos contrabandeados, que não passam por nenhum controle", afirmou Magri.
Fotos: Greenpeace via Blog Carta Maior
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