Noruega promete US$ 300 milhões/ano para energia verde mundial
Autor: Ben Garside - Fonte: Reuters
A Noruega gastará 1,8 bilhões de coroas norueguesas (US$ 300 milhões) por ano para criar formas de ajudar alguns dos povos mais pobres do mundo a terem melhor acesso à energia e para desenvolver um novo sistema de mercado para limitar as emissões da produção global de energia, disse um funcionário do Ministério das Relações Exteriores na quarta-feira.
A nação nórdica espera lançar um plano até junho visando buscar doações de outros estados ricos para nove países pobres poderem investir em usinas de energia novas e mais eficientes.
O governo espera que o esquema seja eventualmente usado como um exemplo mundial de como atrair capital do setor privado através de um novo tipo de mercado de carbono.
A Parceria Energy+ prevê que Noruega, Reino Unido, França, Dinamarca, Suíça, Países Baixos e Coreia do Sul deem dinheiro para Butão, Etiópia, Quênia, Libéria, Maldivas, Marrocos, Nepal, Senegal e Tanzânia.
O dinheiro dependerá de quão bem os países beneficiados podem provar que estão aumentando o acesso público à energia enquanto cortam as emissões de gases do efeito estufa em relação aos níveis não controlados, de acordo com um documento político visto pela Point Carbon News.
O governo da Noruega já começou a trabalhar com a Etiópia e as Maldivas, e em fevereiro se encontrará com representantes do Quênia e da Libéria, afirmou Terje Kronen, funcionário do Ministério das Relações Exteriores.
“Também estamos procurando [incluir] a Índia e a África do Sul [como beneficiados]”, declarou ele, acrescentando que os países ricos darão dinheiro de seus orçamentos de ajuda externa em vez de usar o capital prometido à ONU para ajudar nações pobres a limitar as emissões e enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.
A Parceria Energy+ deve ser lançada na conferência Rio+20 em junho, na qual líderes mundiais discutirão medidas globais para fornecer acesso universal à energia – uma meta que a Agência Internacional de Energia disse que custaria pelo menos US$ 48 bilhões por ano.
Conexão de Carbono
A Noruega, cujas vastas reservas offshore de petróleo ajudaram o país a se tornar um dos mais ricos do mundo, quer que o esforço se espelhe na Parceria REDD+ para diminuir o desmatamento no mundo emergente.
O plano Energy+ pretende ajudar a direcionar os esforços para reduzir as emissões de gases do efeito estufa em países em desenvolvimento, onde as energias renováveis e medidas de eficiência energética representam cerca de 9% do potencial de redução do mundo.
O documento político afirma que o dinheiro da Energy+ ajudará os países mais pobres a desenvolver a seção de energia do país através do que é conhecido como Ações Nacionais de Mitigação Apropriada, e que a ONU promete que cortará emissões.
Esse financiamento também desenvolverá exemplos práticos “no estabelecimento de novos mercados de carbono”.
As negociações climáticas da ONU do último mês em Durban abriram a porta para o aparecimento de muitos mecanismos novos de mercado de carbono, mas investidores esperam pouco progresso deles sem mais apoio governamental.
FAVORÁVEL AO MDL
Os governos querem conduzir maiores reduções de emissões desenvolvendo novos mercados em setores inteiros, em vez de usar a abordagem existente no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) e na Implementação Conjunta da ONU de projetos individuais.
Kronen insiste que os financiamentos para hospedar projetos de compensação de MDL ainda podem ser usados visando o desenvolvimento de fontes de energia mais limpa, em paralelo ao dinheiro da Energy+.
“Muitos países em desenvolvimento veem financiamentos de emissões de GEEs reduzidas/evitadas como uma nova e melhor forma de se beneficiarem com os investimentos climáticos”, afirmou Kronen.
Ele adicionou que alguns desses países foram incapazes de desenvolver muitos projetos de MDL e viram que os custos envolvidos eram grandes demais para resultados pequenos demais.
Traduzido por Jéssica Lipisnki
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